História do sal

História do sal

O sal é o condimento mais antigo usado pelo homem e a sua importância para a vida é de tal ordem que marcou o desenvolvimento da história nas suas diferentes etapas, atingindo grandes repercussões económicas, políticas e culinárias ao longo das diferentes civilizações que foram moldando a nossa cultura e o nosso modo de vida.

É um produto cujo uso está generalizado em toda a gastronomia e na indústria mundial, quer seja como tempero, quer como conservante essencial para os alimentos ou em seus usos não alimentares.

A sua história esteve tão unida às grandes transacções comerciais que o seu legado ainda hoje se conserva nos nomes de lugares como a pré-histórica Route du Sel na França ou na Via Salaria da antiga Roma.

Primeiras referências

O uso do sal como alimento começa na época do imperador chinês Huangdi e remonta a 2670 a. d. C. Uma das primeiras salinas verificadas para seu uso na alimentação humana é no norte da província chinesa de Shanxi, num lugar entre montanhas e lagos salgados. É muito possível que o sol do Verão evaporasse a água dos lagos e a população se dedicasse a apanhar os cristais de sal da superfície. As primeiras extracções de sal mediante processos elaborados remontam à época da Dinastia Xia nos anos 800 a. d. C. Durante essa época, as águas do mar metiam-se em recipientes de barro expostos ao fogo até se obterem os cristais salinos por evaporação.

No Ocidente encontraram-se múmias preservadas com as areias salinas dos desertos do Egipto que datam de 3000 a. d. C. Os usos que se faziam no antigo Egipto incluíam tanto os culinários como os ritos funerários. O sal egípcio provinha das salinas solares situadas nas redondezas do delta do Nilo, mas também do comércio entre os portos das primeiras culturas mediterrâneas, em especial da Líbia e da Etiópia. Os egípcios já eram especialistas na exportação de alimentos crus mas, graças ao sal e às suas propriedades de conservação, conseguiram expandir o número de alimentos comercializáveis, convertendo-se nos primeiros exportadores de peixe em salga da Antiguidade.

Produção na Europa

Na Europa, as minas de Hallein (que significa salina), nas imediações de Salzburgo (cidade do sal), exploradas pelos celtas, são umas das primeiras contribuições continentais para o comércio do sal. Quando os celtas foram cedendo aos avanços do Império Romano, o seu conhecimento a respeito da extracção e uso do sal foi passado aos romanos.

Durante os primeiros tempos do Império os patrícios insistiam em que cada homem tinha direito a uma porção de “sal comum”, concedendo uma importância fundamental a este produto. De facto, a sua relevância era de tal ordem que grande parte das cidades romanas construíam-se ao pé de alguma salina. Algumas das vias mais importantes que ligavam centros de comércio e rotas específicas recebiam uma denominação surgida do sal, como é o caso da “Via Salaria”. Inclusivamente o termo “salário”, derivado do latim salarium, provém da quantidade de sal que se concedia aos legionários romanos em forma de pagamento pelo seu serviço no exército.

Durante a Idade Média ficou consolidado o comércio do sal, uma vez que era um elemento fundamental na conservação dos alimentos e era preciso para a sobrevivência de todas as comunidades que registavam um crescimento demográfico elevado. Dois foram os grandes mercados que se consolidaram ao longo dos séculos: o mercado da África Ocidental, em que o sal foi a principal mercadoria que manteve em pé o comércio de ouro trans-saariano com o mundo ocidental; e a enorme indústria de salga dos Países Baixos no século XVII, que influiu profundamente no rumo do imperialismo europeu.

Conscientes da importância do sal, tanto os senhores feudais como, posteriormente, os monarcas, cobravam impostos pelo uso e exploração do sal chegando a ser, durante as épocas da monarquia absoluta, uma das receitas mais importantes das arcas reais. De facto, o imposto francês denominado “la gabelle” provocou numerosos motins e revoltas e foi um dos desencadeamentos da Revolução Francesa. Esta situação manteve-se posteriormente até o século XIX em que a exploração e venda do sal foi declarada livre na Europa toda. Em Espanha liberalizou-se em 1869.

Desenvolvimento industrial na Península Ibérica

Ao longo do século XX, e mais precisamente a partir da sua segunda metade, produziram-se uma série de importantes transformações importantes na indústria espanhola do sal. Com a generalização dos avanços industriais, a incorporação das novas tecnologias e os novos procedimentos de obtenção do sal modernizou-se o sector.

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